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"Debaixo do nosso nariz"

Quando somos solteiros é comum idealizarmos o amor de nossas vidas na figura de alguém que ainda não conhecemos, forasteiro, sem forma específica, mas que tenha todas as virtudes e atributos que julgamos importantes. Mas, surpreendente mesmo é quando esse amor já é alguém que conhecemos há muito tempo e, pior (pior?), quando se trata do(a) melhor amigo(a), nunca antes imaginado nesse lugar. Aquele(a) mesmo(a), de longa data, com todas as qualidades e defeitos que já conhecíamos há tempos. 
É difícil aceitar o fato de que o nosso amor da vida sempre esteve debaixo do nosso nariz. No início, é natural que se resista a essa novidade, porque isso não só não estava nos planos: isso desconstruía todos os planos. Mas, para que servem os nossos planos, senão para servirem de rascunho aos planos de Deus? Essa é a nossa história. 
Melhores amigos há cinco anos, uma ligação que sempre pareceu de outras vidas, duas vidas que às vezes pareciam ser apenas uma. Dizem que o amor só acontece quando estamos distraídos, mas aquela novidade era mais do que estarmos distraídos: era como se estivéssemos fora de órbita, em todos os sentidos. Mas, o que faz sentido pra o homem é pouco relevante em relação ao que universo conspira: dentro dessa imensidão, somos minúsculas gotas d'água e o nosso amor não é nada senão o resultado da feliz coincidência de estarmos existindo juntos, em um mesmo espaço físico e nessa mesma porção de tempo, dentro desse infinito. Por outro lado, entre nós dois, também há um infinito, um infinito particular: e um mar de admiração, de lealdade, de amor, de cuidado, de afinidade, de diálogo, de compreensão e daquele tipo de silêncio que aproxima ainda mais (não daquele que separa). Somos muito gratos a Deus e ao universo por estarmos velejando juntos nesse mar, no mesmo barco. Que feliz coincidência!

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